jamais voei!

Jamais voei !
Jamais cantei!
Foi assim…
Contra o desperdício
Que me apropriei.
Do sentimento, ali…
Oferecido com migalhas.
A satisfação era maior
Que a fome da navalha.
Me apropriei
De uma situação,
Eram grãos, farelo de pão,
Na ignorância da fome,
Me apropriei…
Sem saber, tracei minha rota.
A única porta… Entrei!
Vieram tantos, vieram pássaros,
Tantas culpas,
Que, tentei voar.
Prenderam-me as asas…
Cortaram-me a voz,
Tentei cantar aquele poema.
A voz fraca e rouca
Na verdade me fez calar.
Me apropriei…
Tanto que me aproximei
Das linhas da loucura,
Deixei tudo que me é caro
Embrulhado em folha de bananeira.
Se não entende…
Não me condene!
Não me idolatre
Seja apenas outro espectador…
Na mesma imagem que vejo os pássaros.
Me apropriei!

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